Tinha que Ser Você
(Last Chance Harvey, 2008, EUA)
Direção: Joel Hopkins
Com: Dustin Hoffman, Emma Thompson, Eileen Atkins, Kathy Baker, Liane Balaban, James Brolin, Richard Schiff
A comédia romântica nunca mais foi a mesma depois que Harry e Sally descobriram que eram feitos um para o outro. Hoje, os amantes em crise não possuem a maturidade e a vivência para destilar suas frustrações para o grande público. Os dramas são rasos, as piadas pouco inspiradas e os personagens meros marionetes em um espetáculo de superficialidade. Enquanto isso, pequenas pérolas do gênero se escondem entre um grande lançamento e o próximo.
Quando foi que Hollywood decidiu que pessoas mais velhas não tinham mais a capacidade de vivenciar as desventuras de um novo amor? Aquele friozinho que invade nossas barrigas e que faz com que nos comportemos como verdadeiros idiotas. No entanto, são exatamente essas pessoas que tem mais a oferecer ao grande público pois são elas que possuem uma bagagem maior para ser carregada. São elas que amargam as maiores decepções, que sofrem as perdas irreparáveis, que experimentam a tristeza angustiada e silenciosa. E, por tudo isso, as mais propensas a buscar em uma nova paixão a solução para todos seus problemas.
Vejamos o caso de Harvey Shine (Dustin Hoffman), um compositor que passou a vida se dedicando a uma profissão que não gosta – ele escreve músicas para jingles – enquanto sua esposa e filha o abandonavam para viver em Londres. Hoje, depois de muitos anos longe da filha, ele viaja para o velho continente a fim de vê-la caminhar até o altar. Só que não do seu lado, como manda o figurino, mas do lado de seu padrasto Brian (James Brolin), que esteve mais presente na vida da jovem noiva. Para fechar com chave de ouro um dia melancólico, ele recebe a notícia de que não precisa ter pressa para voltar ao trabalho, pois já não tem um emprego.
É nessas circunstâncias que ele conhece Kate Walker (a sempre excepcional Emma Thompson), uma mulher que agüenta em silêncio uma vida de emoções contidas. Seu trabalho consiste em fazer uma pesquisa de satisfação a passageiros mal-humorados que acabaram de sair de uma longa e cansativa viagem. Sua vida pessoal é marcada pela solidão e pela mãe paranóica que insiste em ligar constantemente para filha a fim de denunciar as atividades suspeitas de um vizinho imigrante. Sua vida amorosa inexiste, pois nunca encontrou alguém que soubesse enxergar a beleza escondida atrás de tanta tristeza.
O encontro de duas almas tão perdidas é o ponto de partida da comédia romântica mais simpática do ano. Enquanto passeiam pelas sempre fotogênicas ruas de Londres, eles aproveitam para se conhecer, para exorcizar seus demônios internos e para analisar os motivos que os levaram ao ponto em que se encontram hoje. Mas sem nunca perder o bom humor e a esperança de que suas vidas podem um dia mudar.
Alguns dizem que o verdadeiro amor só acontece uma vez na vida. Outros preferem acreditar que o amor é um sentimento reciclável que está sempre pronto para uma nova aventura. Eu não ousaria em me arriscar a fornecer uma resposta para esse enigma, mas de uma coisa eu tenho certeza. Uma boa comédia romântica surge apenas uma vez por ano. Por isso, aproveitem. Depois dessa, só no ano que vem.
Amantes
Tentar explicar porque Amantes, novo filme de James Gray, que antes já havia realizado o ótimo Os Donos da Noite, despertou esse sentimento em mim é um exercício de futilidade. Poderia elogiar a comovente interpretação de Joaquin Phoenix ou a presença hipnotizante da bela Vinessa Shaw. Poderia discorrer sobre a simplicidade de um roteiro que aborda um dos temas mais explorados do cinema sem perder o frescor e a autenticidade. Poderia ir mais além e enaltecer a atmosfera que transpira melancolia ou o final que transborda esperança. Mas a realidade é que, se assim o fizesse, incorreria no mesmo erro que milhares de críticos – este que vos escreve incluso – cometem a cada resenha.
Não há nada de intelectual ou lógico sobre o ato de gostar ou não de um filme. Não existe nenhuma fórmula matemática que serve de diretriz para que uma obra-prima seja realizada. A arte, em qualquer uma de suas formas, nunca deve buscar a primazia pois ela é subjetiva em sua natureza. Apontar uma ou outra como exemplares únicos e extraordinários é tentar conformar o mundo em um plano em que todos concordam com a mesma opinião. Não existe unanimidade quando o assunto é a análise de uma obra de arte. E se um dia surgir essa obra unânime, eu prefiro não estar perto para conhecê-la.
Quem Quer Ser um Milionário?
A história que conta é recheada de elementos dignos dos mais lacrimejantes dos melodramas. Mas o que surpreende é que Danny Boyle não se apega a esse sofrimento para construir uma história densa e sombria. Pontuado por um otimismo exacerbado e constante, o diretor inglês opta por elaborar uma pequena fábula, como as que Charles Dickens fez em Oliver Twist e David Copperfield, onde o importante não é o sofrimento e sim a fé que nos faz superá-lo. O resultado é uma pequena celebração à vida que já rendeu inúmeras premiações, inclusive o Oscar de melhor filme, e uma bilheteria surpreendente em território americano, principalmente por se tratar de um filme falado boa parte em híndi, um dos vários dialetos indianos.
Slumdog Millionaire
O Leitor
Não que ela não carregue uma vergonha dentro de si. Mas esse segredo que guarda a sete chaves, preferindo enfrentar as piores conseqüências em vez de revelá-lo, não diz respeito a uma falha de caráter ou de julgamento. Ele é de origem mais humilde, mais humana. E o único capaz de salvar a vida dessa atormentada alma é o jovem Michael Berg (o talentoso David Kross), estudante de direito que, anos antes, tivera um tórrido romance com a acusada.
A princípio, O Leitor funciona como uma envolvente história de amor entre duas pessoas marcadas pela vergonha. Mesmo quando fica mais velho, Michael (agora vivido pelo sempre correto Ralph Fiennes) não consegue esquecer a influência que Hanna exerceu sobre sua vida. No entanto, insiste em esconder esse sentimento em alguma gaveta empoeirada de seu coração, com medo do que o mesmo possa significar em relação ao seu caráter. Sua impossibilidade de abordar o assunto o afastou de sua esposa e até de sua filha, transformando-o em uma pessoa apática e infeliz.
O Curioso Caso de Benjamin Button
interesse especial. Apesar da diferença física, a idade mental é compatível e os dois se tornam grandes amigos.
sua criatividade no próprio corpo, tornando-se um tatuador. São personagens tão diferentes que só poderiam pertencer a uma história fantasiosa como essa. 