Arquivo da categoria ‘Cinema Independente’

O Lutador

Fevereiro 13, 2009

wrestler-posterO Lutador
(The Wrestler, 2008, EUA)

Direção: Darren Aronofsky
Elenco: Mickey Rourke, Marisa Tomei, Evan Rachel Wood, Mark Margolis, Toddy Barry, Wass Stevens, Judah Friedlander

É impossível falar de O Lutador sem, ao mesmo tempo, falar de Mickey Rourke. Ator consagrado da década de 80, considerado por muitos como o próximo Marlon Brando, o astro se perdeu nos anos seguintes e caiu no esquecimento do público. Ele atingiu o fundo do poço quando precisou viver de favores dos poucos amigos que ainda lhe restavam. Depois de quase vinte anos de anonimato, ele retorna aos holofotes com um personagem que simboliza toda a sua trajetória até então. E a volta não poderia ser mais triunfal.

Rourke vive o lutador Randy Robinson, um homem que atingiu o auge de sua carreira quando conquistou o cinturão de sua categoria no início da década de 80. Vinte anos se passaram e ele continua sobrevivendo através da luta, mas em eventos de menor expressão e com um retorno mais humilde. Para completar a renda, trabalha em um supermercado fazendo um pouco de tudo. Nas horas vagas, freqüenta um strip club onde conquista a amizade da dançarina Cassidy (Marisa Tomei, esbanjando boa forma aos 45 anos de idade).

wrestler-1Depois de uma luta um pouco mais sangrenta do que o habitual, Randy sofre um ataque cardíaco e vai parar no hospital com uma ponte de safena como lembrança. Durante o período de recuperação, Randy percebe que tem uma vida vazia e solitária e tenta resgatar as poucas pessoas que ainda fazem parte de seu cotidiano. Entre elas está a rebelde Stephanie (Evan Rachel Wood), filha de Randy que foi abandonada pelo brutamontes ainda criança e que teve pouco contato com o pai durante sua vida. Mas a pressão dos fãs e a dificuldade de se relacionar com as pessoas fora de seu universo servem de estopim para que ele tente se aventurar novamente nos ringues.

O Lutador é um filme feito sob medida para que Rourke mostre todo seu talento que permaneceu escondido nesses anos todos. Não há praticamente uma cena sequer em que não esteja presente, e o ator segura a onda com extrema habilidade. Em grande parte das cenas, nem precisa falar nada. Seu rosto marcado pelas cicatrizes que a vida lhe impôs é o suficiente para que o espectador sinta o sofrimento dessa alma perturbada. E, ao contrário da maioria dos astros que permaneceram na ativa durante esse período, Rourke aborda seu personagem de forma limpa, sem vícios e maneirismos. Rourke é autêntico. Rourke é único. Rourke é Randy.

wrestler-2É claro que nada disso funcionaria sem uma direção correta. Depois de surpreender o mundo com o estranho Pi e o angustiante Réquiem para um Sonho, e decepcionar com o insosso A Fonte da Vida, o americano Darren Aronofsky volta a mostrar porque está no time dos melhores diretores da atualidade. Com uma mão leve e um controle invejável de seus atores, ele constrói uma história honesta e comovente, sem cair na pieguice. Em uma cena em particular, o diretor traça um paralelo entre a vida como atendente de supermercado e a de um lutador profissional de forma extremamente criativa. Minha única ressalva vai para o fim muito apoteótico, que não condiz com a simplicidade que exala durante o resto da projeção.

Todas as bancas de apostas apontam Rourke como o favorito para arrebatar o prêmio de melhor ator do ano. Se vier, a premiação é mais do que merecida. Não só pela inquestionável qualidade de sua atuação, mas também por toda sua trajetória para chegar até esse momento. Na cena mais comovente de O Lutador, Rourke se desculpa para a filha argumentando que não quer que ela o odeie. É um pedido de socorro não só de um pai buscando o amor de sua filha, mas também de um ator que quer se redimir com sua platéia.

The Visitor

Janeiro 13, 2009

visitor-posterThe Visitor
(The Visitor, EUA, 2007)

Direção: Thomas McCarthy
Elenco: Richard Jenkins, Haaz Sleiman, Danai Jakesai Gurira, Hiam Abbass, Marian Seldes, Maggie Moore, Michael Cumpsty

Ator condenado a uma eternidade de papéis coadjuvantes, Thomas McCarthy ressurgiu para o mundo do cinema quando, em 2003, dirigiu o simpático O Agente da Estação, filme independente que arrebatou uma série de prêmios nos festivais que participou. Quatro anos depois, ele retorna com mais uma produção que exala simpatia e que o coloca como um dos grandes nomes do cinema independente americano.

Se em seu primeiro filme, seu protagonista era um solitário anão que redescobre o poder da amizade ao herdar uma casa nos confins da cidade de Nova Jersey, em The Visitor, ele volta a abordar a melancolia de uma vida sem propósito ao retratar o cotidiano de um veterano professor de economia que divide seu tempo entre as poucas aulas que administra e o próximo livro que pretende escrever. Quando é convocado a participar de uma convenção em Nova York, ele regressa à casa que costumava morar antes da morte de sua esposa para encontrar um casal de imigrantes ilegais morando lá.

Compadecido com a situação do casal, que não tem onde morar, o professor permite que os dois fiquem com ele por um tempo, até que encontrem um novo lugar. O jovem Tarek (Haaz Sleiman) é um músico que ganha a vida tocando seu bongô em clubes de jazz e até mesmo em praças públicas. Fascinado pelo eletrizante ritmo da música de Tarek, Walter (Ricahrd Jenkins) passa a ter aulas com o rapaz. A amizade entre os dois é interrompida quando Tarek acaba preso pela imigração americana. A situação fica ainda mais complicada quando Walter recebe a visita de Mouna (Hiam Abbass), mãe de Tarek, que visitor-1fica preocupada com a falta de notícias do filho. Enquanto lutam para manter Tarek nos Estados Unidos, Walter e Mouna iniciam um relacionamento.

Assim como aconteceu em seu filme anterior, McCarthy investe em doses cavalares de melancolia para retratar o dia-a-dia de seu protagonista. Anestesiado desde a morte de sua esposa, Walter está desesperado para encontrar uma forma de atribuir valor à sua existência. Ele tenta, logo no começo do filme, aprender a tocar piano clássico, instrumento de sua falecida mulher. Ao mesmo tempo, sobrevive às aulas que administra por pura necessidade e, como pretexto para diminuir sua carga horária, finge que está elaborando um novo livro. Os poucos alunos que demonstram interesse em sua aula são descartados com extrema displicência, mostrando sua total falta de comprometimento com o trabalho.

A chegada do casal na vida do professor vem como uma benção. No começo, há um nítido desconforto entre eles, principalmente entre Walter e Zainab (Danai Jekesai Gurira). Mas a contagiante alegria de Tarek funciona como um elemento agregador, fazendo com que os visitor-2dois se entendam melhor ao longo do filme. Quando Tarek vai para a prisão, aquilo que os unia desaparece e o desconforto volta a surgir entre os dois.

A música tem importância crucial para a transformação de Walter. É através dela que ele descobre a beleza por trás do improviso, do imponderável. Antes, acostumado a uma vida estruturada e cheia de regras, quando começa a tocar o bongô, ele abraça uma nova filosofia em que o inesperado é sempre bem-vindo. É por causa da música que ele perde o medo de encarar novas experiências, inclusive a de apostar em um novo amor.

O sentimento que nasce entre Walter e Mouna é um amor quase adolescente em sua pureza e autenticidade. Não há segundas intenções ou desejos camuflados, apenas a necessidade de compartilhar com outro ser humano o sofrimento de uma vida. Quando os dois finalmente se abraçam, detecta-se entre eles algo que muitos passam uma eternidade buscando, mas nunca encontram.

The Visitor encontra em seu quarteto central a grande força que transforma esse filme em uma experiência única. Hiam Abbass é uma atriz que sabe valorizar a importância dos pequenos gestos e dos olhares vazios. O casal formado por Haaz Sleiman e Danai Jakesai Gurira funciona de forma surpreendente, exalando simpatia e humildade. E Richard Jenkins consegue, através do silêncio, construir o personagem mais complexo de sua carreira. Nem todos atores precisam clamar por nossa atenção. Os melhores fazem com que nós clamemos pela sua.

Red

Outubro 27, 2008

Red
(Red, EUA, 2008)

Direção: Trygve Allister Diesen, Lucky McKee
Elenco: Brian Cox, Noel Fisher, Tom Sizemore, Kyle Gallner, Shiloh Fernandez

“O passado é história, o futuro é mistério. O agora é uma dádiva. Por isso que o chamam de presente”. Essa pequena sabedoria proverbial resume a vida do solitário Avery Ludlow (Brian Cox), o dono de um armazém de uma pequena cidade que tem como único companheiro seu cachorro de 14 anos, o Red do título. Marcado por um acontecimento trágico que tenta esquecer e amargurado pela falta de perspectiva no final de sua vida, só lhe resta o hoje.

Ele acorda uma bela manhã e decide que quer pescar. Ele entrega o armazém para os cuidados de uma amiga, prepara seu equipamento, convoca o fiel escudeiro e parte para um dos poucos prazeres que ainda possui. Sua tranqüilidade é interrompida quando três jovens abordam o velho e tentam roubá-lo. Como não tem nenhum dinheiro com ele, os rapazes resolvem descontar sua frustração no pobre cachorro. Avery, que achava que já não existia mais nenhuma surpresa reservada em seu futuro, volta a sofrer a dor de uma perda. E, novamente, a dor vem pelas mãos de um jovem perturbado, anestesiado pelo tédio de uma vida sem propósito.

Mais do que vingança, Avery quer justiça. Sua revolta se deve mais pelas risadas emitidas por seus agressores depois do ocorrido do que pela perda em si. Ele quer que tenham consciência do sofrimento que provocaram e que demonstrem arrependimento pelo que fizeram. A sede por sangue vem depois, com a impunidade. A constatação de que a justiça não será aplicada é mais forte do que Avery pode suportar. Inicia então uma obsessão com destino único para a tragédia. E a moeda tem dois lados, uma vez que na outra esfera, a teimosia também reina absoluta.

Experiência é um vocábulo abstrato que tentamos mensurar através da quantidade de anos que um determinado indivíduo passa nesse planeta. Mas a vida é mais complexa do que essa fútil tentativa de racionalização de um termo obscuro. Ela é uma unidade de causa e efeito. São as decisões que tomamos em nossa breve existência, e as conseqüências que elas acarretam, que definem o grau de experiência que adquirimos. Em uma semana, os personagens de Red obtiveram um aprendizado que muitas pessoas passam 50 anos para alcançar. Na próxima oportunidade, talvez sejam mais tolerantes, ou menos impulsivos. Acho que, muitas vezes, os grandes erros precisam ser recompensados, desde que com eles, venha o conhecimento.

Red me lembrou muito de um ótimo filme dirigido por Sam Raimi, que mais tarde se tornaria o cineasta por trás do Homem-Aranha, intitulado Um Plano Simples. Um incidente sem conseqüências aparentemente mais graves acaba se desenvolvendo em uma situação que beira o absurdo. Este não é um filme de suspense tradicional, mas a atmosfera é de tensão constante. Apesar de sua relativa lentidão, é difícil não se envolver com o emocionante conflito vivido por seus personagens. Principalmente Avery, que se depara no presente com fantasmas do passado que não o deixam descansar. Ele é a força por trás do roteiro do filme e conta com uma atuação magistral de um ator que passou a carreira se escondendo em papéis de menor expressão.

O veterano Brian Cox, eterno coadjuvante de filmes como A Supremacia Bourne e X-Men 2, brilha em uma interpretação que exala sinceridade e melancolia. Quando descreve para uma repórter o que aconteceu com sua esposa e filhos, a amargura de sua expressão deixa um nó na garganta até do mais insensível dos mortais. Seu olhar transparece tristeza em cada fotograma e sua dor ajuda a entender seu repentino desejo por vingança. Mas, se este é um prato que se come frio, em Red fica claro que ele também deixa o estômago vazio.

Mil Anos de Orações

Outubro 20, 2008

Mil Anos de Orações
(A Thousand Years of Good Prayers, EUA, 2007)

Direção: Wayne Wang
Elenco: Henry O, Feihong Yu, Vida Ghahremani, Pavel Lychnikoff, Angela Dierdorff Petro, Tracy Schornick

Quando o Sr. Shi (Henry O) pisa pela primeira vez em solo americano, ele é recebido pela filha que não vê há doze anos. A recepção não poderia ser menos calorosa. Em algumas poucas cenas, fica claro para o espectador que o abismo que separa pai e filha vai além da geografia. Enquanto esperam pela chegada das malas, um muro parece erguer-se entre os dois. Eles permanecem em silêncio olhando para um horizonte inexistente e o momento só é quebrado porque uma das passageiras com a qual o Sr. Shi conversou durante o vôo resolveu se despedir do simpático velhinho. A interrupção vem como um alívio para ambos, que parecem ter mais facilidade para conversar com estranhos do que com as pessoas amadas.

Mil Anos de Orações é um filme que trata, principalmente, sobre a dificuldade de comunicação entre as pessoas. Mas há um certo ar de anacronismo pairando no ar que seus personagens respiram. O Sr. Chi é um engenheiro espacial aposentado que passou grande parte de sua vida honrando um governo comunista que hoje já não existe. Ele não pertence mais ao país a que se dedicou durante toda uma vida. Ao mesmo tempo, ele também não pertence ao lado da filha “americanizada” que negligenciou durante os anos junto ao partido. Hoje, a única pessoa que parece compreendê-lo é uma senhora iraniana (Vida Ghahremani) que, assim como ele, também sente dificuldade de saber seu lugar nesse mundo. Apesar de ambos não falarem inglês, a comunicação entre eles é mais clara que as que têm com os respectivos filhos.

Em paralelo, Yilan (Feihong Yu) também amarga uma ausência crônica de identidade. Criada sob os rígidos princípios orientais, seus valores sofreram mutações consideráveis depois de anos convivendo com a cultura ocidental. O resultado é um ser híbrido que não sabe ao certo como agir diante de certas situações. O respeito ao pai permanece incondicional, a ponto de esconder a verdade por trás de seu divórcio para evitar o olhar de decepção do mesmo. Mas isso não a impede de tomar decisões que, dentro de sua cultura, seriam inconcebíveis. Yulan aparenta ser uma pessoa sem lar, que rejeita a própria origem enquanto não está totalmente inserida em seu novo país. Até mesmo seu gosto musical parece ser influenciado por terceiros.

A impossibilidade de comunicação entre os dois atinge seu limite e o confronto é inevitável. Anos de sentimentos retraídos vem à tona e uma confissão se estabelece. E na cena mais significativa do filme, pai finalmente revela a verdade de seu passado. Só que o faz na solidão de seu quarto, enquanto a filha o escuta através da parede que os separa. Naquele momento, a barreira física é mais fácil de ser transposta do que a psicológica.

Em um dado momento, Yilan declara que tem mais facilidade de expressar suas emoções em inglês pois as reprimiu quando falava chinês. É como se ela precisasse se tornar uma nova pessoa para que pudesse exorcizar seus demônios internos. E para o pai, só resta a esperança de um dia poder dialogar com a filha novamente. Nem que, para isso, precise de mil anos de orações… 

Violetas Púrpuras

Setembro 23, 2008

Violetas Púrpuras
(Purple Violets, EUA, 2007)

Direção: Edward Burns
Elenco: Selma Blair, Patrick Wilson, Edward Burns, Debra Messing, Dennis Farina, Donal Logue

O grande talento do diretor independente Edward Burns reside na sua capacidade de transformar a simplicidade em arte. Enquanto o cinema contemporâneo recorre a ícones da indústria pop para atrair o público jovem para as salas, Burns resolve se comunicar com sua própria geração e investe em um filme honesto, onde coloca em pauta os sentimentos de alienação que muito de nós experimentamos durante um período de transição.

O roteiro acompanha o drama de Patti (Selma Blair), uma promissora aspirante a escritora que abandona seu sonho para seguir uma carreira mais segura no ramo imobiliário enquanto cuida do marido Chazz (Donal Logue). Durante um jantar com a melhor amiga Kate (Debra Messing, do seriado Will & Grace), ela reencontra Brian (Patrick Wilson), um antigo namorado da época da faculdade que hoje se transformou em um renomado escritor de romances policiais. Esse encontro balança com sua cabeça e ela passa a questionar se tomou o caminho certo quando abriu mão de suas ambições literárias.

Brian vive uma crise de identidade própria. Sedento para ser levado a sério como escritor, ele resolve abandonar seu personagem mais famoso para escrever um complexo drama psicológico. A empreitada não obtém o resultado esperado nem com a crítica, nem com seu público cativo, que ansiava por mais uma aventura do detetive nova-iorquino conhecido com Jack Knight. Seus editores o pressionam a resgatar o personagem do limbo. Até mesmo seu advogado e melhor amigo Michael (Edward Burns) tenta convencê-lo a desistir da idéia de se tornar um escritor respeitável. Mas desde a juventude ele ambicionou escrever a grande novela americana e hoje ele se sente como se tivesse vendido a alma em troca de dinheiro.

Em paralelo, Michael e Kate vivem um conflito próprio. Eles também se conhecem desde a faculdade e também viveram um tórrido romance que se encerrou de forma traumática. Mesmo com a passagem dos anos, Kate não consegue perdoar uma suposta traição de Michael com medo de sofrer uma nova desilusão. Ele, por outro lado, busca a rendenção dos pecados cometidos no período em que foi um alcoólatra e não descansa enquanto não derrubar a barreira que o separa de seu amor da juventude.

O encontro acidental entre Patti e Brian funciona como uma pequena pedra jogada em um lago. Apesar de pontual, o impacto acaba causando ondas que, a princípio, são pequenas e aparentemente inofensivas. Elas afetam apenas o íntimo dos personagens envolvidos sem que o mundo externo sofra qualquer mutação. Mas essa onda insignificante acaba gerando ondas cada vez maiores que extrapolam os limites individuais e alteram permanentemente o pequeno universo em que estão encaixados.

Violetas Púrpuras é um filme que trata do desejo oculto do ser humano de se conformar com uma realidade que parece confortável, mas que se distancia do ideal que cada um traça no começo da vida. Tanto Brian quanto Patti estão longe de viver os seus verdadeiros sonhos, mas levam uma vida tranqüila, sem muitos percalços. É muito fácil para o ser humano se acomodar quando vive um período de calmaria. É natural que queira fugir da tempestade que pode causar mudanças permanentes e alterar para sempre seu senso de segurança. Mas sem o caos, não existe amadurecimento. Sem a incerteza, não existe futuro, e sim uma eternidade de presentes.

Edward Burns encontra em Violetas Púrpuras seu momento mais melancólico. Acostumado a realizar filmes simpáticos e despretensiosos, ele também parece buscar uma mudança de rumo. Talvez por isso saiba interpretar com tanta precisão os sentimentos de seus personagens. É a voz de um cineasta á procura de sua verdadeira identidade que, no processo, realiza sua obra mais madura.