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A Banda

Outubro 12, 2008

A Banda
(Bikur Ha-Tizmoret, Israel/França/EUA, 2007)

Direção:  Eran Kolirin
Elenco: Sasson Gabai, Ronit Elkabetz, Shlomi Avraham, Saleh Bakri, Khalifa Natour, Uri Gavriel, Imad Jabarin, Ahuva Keren, François Khell

“Talvez a sua obra não deva ter um final apoteótico. Talvez ela deva terminar em um quarto, com uma lâmpada, uma cama, imersa na solidão”. Com essa frase, um dos personagens desta comovente produção dá o seu parecer sobre o trabalho de um recém conhecido que luta para compor um desfecho convincente para seu concerto. Ao mesmo tempo, ele resume com enorme precisão o espírito deste filme que aposta na simplicidade para conquistar a simpatia do público. A Banda é um filme sobre os pequenos momentos que, apesar de não definir nossas vidas, marcam para sempre as nossas memórias.

A seqüência de abertura é genial. Apesar de muitos não darem a devida importância aos primeiros minutos de uma obra cinematográfica, para mim, são esse minutos que pontuam o ritmo e estabelecem a atmosfera do filme. É como a comissão de frente de um desfile de carnaval. Através dela, dá para antecipar o que está por vir durante o espetáculo. Com planos e enquadramentos precisos, o filme mostra com poucos diálogos o drama de uma banda egípcia que tenta, a todo custo, chegar a uma cidade israelense, onde farão uma apresentação.

Por incompetência de um de seus integrantes, que não leva sua profissão muito a sério, eles acabam parando em uma cidade praticamente abandonada no meio do deserto. Enquanto esperam que sua embaixada sane o problema, eles acabam se hospedando junto aos moradores locais. Eles contam com a bondade de Dina (Ronit Elkabetz), a proprietária de um pequeno restaurante que vê nessa inusitada visita uma forma de quebrar a rotina. Durante uma única noite de convivência, essas pessoas tão distintas compartilharão um pouco de suas tristezas e angústias. No final, não há a apoteose da mudança, característica de filmes mais pretensiosos. Há apenas o conforto de uma breve amizade, que termina tão rápido como a noite, mas nem por isso menos sincera.

O grande mérito de A Banda é a sua capacidade de expor o conflito de seus personagens sem nunca apelar para cenas excessivamente explicativas. Cada personagem convive com seus fantasmas sem explicitar suas emoções para o próximo. Quando o fazem, o desabafo é discreto e isento de segundas intenções. Afinal, é muito mais fácil se abrir para um completo desconhecido que não te julgará pelos seus atos e pensamentos. E, mesmo que o fizer, ele é, no final das contas, um estranho. Essa atmosfera de catarse proporciona os momentos mais autênticos desta produção. É através dela que descobrimos o que se esconde por trás da tristeza do coronel Tawfiq (Sasson Gabai), da apatia de Simon (Khalifa Natour), da timidez de Papi (Shlomi Avraham), da rebeldia de Khaled (Saleh Bakri) ou da promiscuidade de Dina.

Quando o filme chega ao fim, a vida de cada um permanece igual. Os fantasmas não foram exorcizados e o futuro não promete nada muito animador. Mesmo assim, fica a nítida impressão que, durante essa pequena noite de convivência, os integrantes da banda tiveram algum efeito sobre os moradores do vilarejo, e vice-versa. O desvio, apesar de indesejado, valeu à pena.