Star Trek
(Star Trek, 2009, EUA)
Direção: J. J. Abrams
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Karl Urban, Zoe Saldana, Simon Pegg, John Cho, Anton Yelchin, Ben Cross, Eric Bana, Bruce Greenwood, Winona Ryder, Leonard Nimoy
O futuro começa agora. Pelo menos, é o que diz o pôster do mais novo episódio da franquia Star Trek. E se esse é o caso, vivemos um futuro de volta às origens. Pelo menos quando o assunto é a sétima arte. Depois de ver o mutante mais famoso do cinema revisitando seu ponto de partida em X-Men Origins: Wolverine, uma das séries mais prestigiadas da televisão americana ganha uma roupagem nova, com um elenco rejuvenescido e o diretor mais quente do momento.
O jovem J. J. Abrams, que também é um produto da televisão americana responsável por seriados de sucesso como Alias e Lost, volta a dar sangue novo a uma antiga série de sucesso. Depois de dirigir o terceiro capítulo da franquia Missão Impossível, o diretor resolveu sacudir a poeira e trazer para as telonas uma obra que já gerou uma infinidade de subprodutos. O desafio não é dos mais fáceis, uma vez que Star Trek possui uma invejável legião de fãs. E o resultado final não deixa de ser um filme divertido, apesar de perder um pouco de sua inteligência filosófica na tentativa de atingir o público adolescente, que prefere a ação desvairada.
O filme começa com o nascimento do lendário capitão James Tiberius Kirk, papel imortalizado por William Shatner, substituído aqui pelo canastrão Chris Pine. Filho de um comandante que sacrificou sua vida para que o filho e a esposa sobrevivessem, Kirk vive assombrado pela imagem heróica que o pai carrega. Depois de vagar sem rumo por um tempo, o jovem rebelde resolve se alistar e honrar o nome da família. Durante seu período de treinamento, acaba conhecendo as pessoas que mais tarde formariam a tripulação da mitológica nave Enterprise, incluindo o Sr. Spock (Zachary Quinto), o Dr. McCoy (Karl Urban), o piloto Hikaru Sulu (John Cho), o engenheiro Scotty (Simon Pegg), a oficial Uhura (a belíssima Zoe Saldana) e o tenente russo Pavel Chekov (Anton Yelchin). Quando uma nave desconhecida, comandada pelo perturbado Nero (um irreconhecível Eric Bana), aparece na órbita terrestre com a intenção de criar um buraco negro e destruir toda forma de vida do nosso planeta, cabe à trupe interestelar usar toda sua criatividade e inteligência para impedir os planos do ensandecido alienígena.
É claro que Star Trek foi feito para os nostálgicos fãs do seriado e, certamente, serão eles os que melhor aproveitarão as referências espalhadas ao longo de sua interessante trama. Mas não dá para negar que Abrams, junto com seus roteiristas Roberto Orci e Alex Kurtzman, conseguiram construir um enredo tão intrigante e charmoso que até mesmo aqueles que nunca sequer passaram perto de um episódio da série poderão se deliciar sem culpa. Ao mesmo tempo, o filme dificilmente escapará das comparações com o original. E nesse ponto, os fãs da série provavelmente sentirão falta dos embates filosóficos entre Spock e Kirk, que aqui mais parecem caprichos de dois jovens tentando impressionar uma mulher, ou as discussões entre o capitão e o engenheiro Scotty, que aqui foram reduzidas a algumas palhaçadas do esforçado Simon Pegg. Mas durante um processo de rejuvenescimento de uma obra, algo sempre se perde ao longo do caminho.
Star Trek marca o retorno das minhas críticas depois de um longo hiato, devido a viagens e outros acontecimentos que me mantiveram distante do cinema por um tempo. Este é um filme agradável que, apesar de estar longe de ser impecável, atinge o seu objetivo de resgatar do ostracismo uma franquia fadada à extinção. O futuro pode ainda não ter começado, mas ele está logo ali, na esquina.
O Traidor
O que torna O Traidor um filme completamente diferente do que estamos acostumados a assistir é que, em uma certa altura do roteiro, descobrimos que Samir já trabalhou para o governo americano antes de desaparecer do mapa. Instala-se então na mente do espectador uma atmosfera de dúvida constante, onde nunca se sabe ao certo para que lado Samir está trabalhando. Ainda mais quando parece nutrir pelo terrorista Omar (Said Taghmaoui) um genuíno sentimento de amizade.
Para minha surpresa, os créditos de roteiro incluem o nome do comediante Steve Martin, mais conhecido como Inspetor Clouseau da nova série A Pantera Cor-de-Rosa. É difícil acreditar que um nome mais comum dentro do universo cômico possa ser o criador de uma história tão tensa e dinâmica. Mas a verdade é que O Traidor não pára em nenhum momento, mantendo um clima de eterno suspense até os momentos finais. E a forma como o roteiro resolve sua trama é de uma inventividade extrema. Além disso, o filme ainda revela um lado crítico em relação à política americana quando o assunto é a luta contra o terrorismo. Na ânsia de capturar seu inimigo, ambas as partes não medem esforços para atingir seu objetivo, mostrando que não existe muita diferença entre os dois.