Amantes
(Two Lovers, 2008, EUA)
Direção: James Gray
Com: Joaquin Phoenix, Gwyneth Paltrow, Vinessa Shaw, Moni Moshonov, Isabella Rossellini, Elias Koteas, Bob Ari
A sensação de êxtase após se assistir a um bom filme talvez seja uma das mais difíceis de se descrever. Muitas vezes, não existe uma lógica por trás de nossas predileções. Alguns críticos se atêm a justificativas vagas como ritmo, cadência, simbolismos e outros pretextos na vã tentativa de encontrar sentido em sua preferência pessoal. Ou então para aparentar mais inteligentes do que realmente são. Mas, no final, é impossível usar a racionalidade para explicar um sentimento. É como procurar motivos para entender porque esta ou aquela música te faz chorar.
Assistir a um bom filme é não querer que ele acabe. É sentir a vontade de engarrafar o tempo, como em uma ampulheta, e deixá-lo deitado em um canto para que a areia não insista em cair. É perceber que, sem nenhuma razão aparente, um sorriso encontrou o caminho até sua boca, ou uma lágrima até o seu olho. É olhar para os créditos finais, que rolam impiedosamente pela tela escura, e lamentar que tudo nessa vida tenha um fim. Assistir a um bom filme é sempre ter a esperança de que o próximo seja ainda melhor.
Tentar explicar porque Amantes, novo filme de James Gray, que antes já havia realizado o ótimo Os Donos da Noite, despertou esse sentimento em mim é um exercício de futilidade. Poderia elogiar a comovente interpretação de Joaquin Phoenix ou a presença hipnotizante da bela Vinessa Shaw. Poderia discorrer sobre a simplicidade de um roteiro que aborda um dos temas mais explorados do cinema sem perder o frescor e a autenticidade. Poderia ir mais além e enaltecer a atmosfera que transpira melancolia ou o final que transborda esperança. Mas a realidade é que, se assim o fizesse, incorreria no mesmo erro que milhares de críticos – este que vos escreve incluso – cometem a cada resenha.
Não há nada de intelectual ou lógico sobre o ato de gostar ou não de um filme. Não existe nenhuma fórmula matemática que serve de diretriz para que uma obra-prima seja realizada. A arte, em qualquer uma de suas formas, nunca deve buscar a primazia pois ela é subjetiva em sua natureza. Apontar uma ou outra como exemplares únicos e extraordinários é tentar conformar o mundo em um plano em que todos concordam com a mesma opinião. Não existe unanimidade quando o assunto é a análise de uma obra de arte. E se um dia surgir essa obra unânime, eu prefiro não estar perto para conhecê-la.
Um bom filme cativa. Um bom filme emociona. Um bom filme desperta a contemplação. Um bom filme te faz enxergar o mundo de forma diferente. Um bom filme chega a inspirar outros artistas a perseguir a perfeição. Um bom filme acorda um apaixonado cinéfilo de uma longa hibernação para que o mesmo, agora revigorado, volte a escrever sobre aquilo que tanto ama. Resumindo, em poucas palavras, Amantes é um ótimo filme.
Tags: Gwyneth Paltrow, James Gray, Joaquin Phoenix, Vinessa Shaw