Um Ato de Liberdade
(Defiance, 2008, EUA)
Direção: Edward Zwick
Elenco: Daniel Craig, Liev Schreiber, Jamie Bell, Alexa Davalos, George MacKay, Allan Corduner, Mark Feuerstein, Tomas Arana, Iben Hjejle
Um Ato de Liberdade é mais do que uma história sobre a segunda guerra mundial. Para falar a verdade, em certos momentos, nem parece que estamos assistindo a mais um filme sobre um dos temas mais explorados do cinema contemporâneo. Este é um relato de sobrevivência. Uma história que mostra o ser humano em sua forma mais crua. Afinal, são nos extremos que descobrimos a verdadeira natureza de cada pessoa. É na fome que desvendamos quem abre mão de seu prato de comida para ajudar o próximo e quem não mede esforços para garantir que seu estômago não fique vazio.
O recém-eleito agente secreto mais charmoso do cinema Daniel Craig capitaliza o atual prestígio que adquiriu e encabeça um elenco de rostos conhecidos mas anônimos. Ele vive o fazendeiro bielorrusso Tuvia Bielski, um judeu que é obrigado a se refugiar na floresta junto com os irmãos Zus (Liev Schreiber) e Asael (Jamie Bell) na tentativa de fugir da mira da força nazista que invadiu o seu país. Eles encontram na floresta que tanto conhecem o refúgio perfeito para se protegerem de seus invasores e, em pouco tempo, outros se juntam à sua família, formando um vilarejo com mais de mil refugiados. Enquanto alguns acham que devem lutar junto à resistência russa, outros preferem uma postura mais passiva, optando pelo aconchego da mata que os protegem. Uma situação que muitos acreditavam ser temporária, se transforma em algo indeterminado e o grupo precisa não só lutar contra forças inimigas mas também contra a fome e o frio do inverno russo.
O grande mérito de Um Ato de Liberdade é que ele não se limita a mostrar seus protagonistas como meras vítimas de um crime inimaginável. Passado o luto e a dor da perda, o que se vê é um grupo determinado a sobreviver a qualquer custo. Nem que para isso tenham que brigar por comida, roubar um velho camponês ou cometer atos de pura covardia, como o de linchar um soldado desarmado. Afinal, esta é uma história de seres humanos, sujeitos aos mesmos sentimentos mortais que a maioria de nós. Sentimentos de ódio, de inveja, de ciúme, de vontade de vingança.
Tecnicamente, o filme é impecável. A bela fotografia retrata a floresta como uma entidade lúdica e aconchegante e ainda presenteia o espectador com
momentos de uma estética deslumbrante, como na cena que mostra a neve caindo sobre a celebração de um casamento. A direção de arte e o figurino prezam pela simplicidade, uma escolha que se mostra acertada e coerente. E o elenco não poderia ser melhor, principalmente Liev Schreiber no papel do irmão mais impulsivo e Jamie Bell (mais conhecido como Billy Elliot) como o caçula, obrigado a amadurecer mais rápido do que o normal.
Em determinado momento, parece que estamos assistindo a uma versão contemporânea de Robin Hood. Não só pela história se desenvolver em uma floresta onde seus habitantes precisam roubar para não sucumbir às forças inimigas. Mas também porque, assim como o clássico personagem britânico, Tuvia defende a desobediência civil como única forma de combate à tirania. É uma guerra árdua e muitas vezes solitária, onde a única arma existente é a sobrevivência.
Tags: Daniel Craig, Edward Zwick, Jamie Bell
Agosto 6, 2009 às 5:32 pm
Um ótimo filme baseado em fatos reais, verdadeiramente é um ato de sobrevivência.