Mongol

By fbarbanti

mongol-posterMongol
(Mongol, Cazaquistão, 2007)

Diretor:  Sergei Bodrov
Elenco:  Tadanobu Asano,
Khulan Chuluun, Honglei Sun, Aliya, Ba Sen, Amadu Mamadakov, Ying Bai, He Qi

Nunca imaginei que, um dia, reservaria linhas de minhas resenhas para um filme produzido pelo Cazaquistão.  Região da Ásia não muito famosa por suas produções cinematográficas, o país acabou abocanhando uma indicação ao Oscar do ano passado graças a essa grandiosa obra que tenta retratar os primeiros anos do temido líder mongol Genghis Kahn. O resultado é um épico de grandes proporções, que coloca no bolso diversas produções americanas de pretensões similares, e que posiciona o cineasta Sergei Bodrov como um dos grandes do cinema mundial.

Primeiro capítulo do que promete ser uma trilogia, Mongol inicia sua história com o jovem Temudjin, aos 9 anos de idade, escolhendo aquela que se tornaria sua esposa num futuro distante. Seu pai quer que ele escolha uma mulher de uma tribo mais poderosa, mas a teimosia do garoto é mais forte. No caminho de volta para casa, seu pai sofre um atentado e morre envenenado. Começam então as mazelas do pequeno herói.

mongol-1Sem ter a idade necessária para assumir o posto do pai, Temudjin vê sua liderança, e suas posses, roubadas pelo covarde Targutai (Amadu Mamadakov). Com medo que o jovem volte em busca de vingança, Targutai coloca sua cabeça a prêmio, fazendo com que o mesmo fuja no meio de um rigoroso inverno. Quando finalmente retorna, Temudjin (Tadanobu Asano)já é um adulto que não vê a hora de reivindicar sua esposa, Borte (Khulan Chuluun). Mas a mesma é seqüestrada por uma tribo inimiga, obrigando Temudjin a buscar aliança com um antigo amigo, o ambicioso Jamukha (Honglei Sun). Essa aliança tem reviravoltas indesejadas para o futuro líder, que precisa encontrar forças na sua fé para conseguir alcançar o sonho de unificar seu país.

Mongol é um épico grandioso, que oferece ao espectador tudo que o gênero tem de melhor. A começar pela magistral fotografia, que conta com paisagens inebriantes compondo alguns dos planos mais belos que tive o prazer de testemunhar nos últimos anos. Enquanto segue sua odisséia, o jovem protagonista cruza áridos desertos, lagos congelados e montanhas esverdeadas, formando uma vasta e rica paleta de cores como há muito não se vê no cinema. E, sabendo do poder dessas imagens, o diretor Bodrov abusa dos planos abertos em que a natureza parece assumir o controle da narrativa e só resta ao espectador observar com incredulidade tamanha beleza.

mongol-2O roteiro é conciso na forma como narra sua história, mas extremamente dinâmico até mesmo nos momentos mais lentos.  É praticamente impossível não se envolver com a tortuosa jornada de uma personalidade tão polêmica, que precisa sobreviver as agruras mais sufocantes, inclusive o de assumir filhos frutos de estupros, para atingir seu objetivo. Minha única ressalva fica por conta de uma certa dose de misticismo que parece circundar o roteiro. Em alguns momentos, apesar de todo o grafismo de sua violência, Mongol parece flertar com o esoterismo, opção que não condiz com o resto do filme.

Mongol é a prova de que o bom cinema não tem geografia definida. Novos centros cinematográficos surgem a cada ano com produções caprichadas que garantem ao espectador entretenimento de primeira linha. Não sei até que ponto o Cazaquistão pode ser incluso nessa nova safra de países emergentes no cinema, mas já podemos esperar pelo menos dois outros grandes filmes provenientes de lá…

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