Direção: Trygve Allister Diesen, Lucky McKee
Elenco: Brian Cox, Noel Fisher, Tom Sizemore, Kyle Gallner, Shiloh Fernandez
“O passado é história, o futuro é mistério. O agora é uma dádiva. Por isso que o chamam de presente”. Essa pequena sabedoria proverbial resume a vida do solitário Avery Ludlow (Brian Cox), o dono de um armazém de uma pequena cidade que tem como único companheiro seu cachorro de 14 anos, o Red do título. Marcado por um acontecimento trágico que tenta esquecer e amargurado pela falta de perspectiva no final de sua vida, só lhe resta o hoje.
Ele acorda uma bela manhã e decide que quer pescar. Ele entrega o armazém para os cuidados de uma amiga, prepara seu equipamento, convoca o fiel escudeiro e parte para um dos poucos prazeres que ainda possui. Sua tranqüilidade é interrompida quando três jovens abordam o velho e tentam roubá-lo. Como não tem nenhum dinheiro com ele, os rapazes resolvem descontar sua frustração no pobre cachorro. Avery, que achava que já não existia mais nenhuma surpresa reservada em seu futuro, volta a sofrer a dor de uma perda. E, novamente, a dor vem pelas mãos de um jovem perturbado, anestesiado pelo tédio de uma vida sem propósito.
Mais do que vingança, Avery quer justiça. Sua revolta se deve mais pelas risadas emitidas por seus agressores depois do ocorrido do que pela perda em si. Ele quer que tenham consciência do sofrimento que provocaram e que demonstrem arrependimento pelo que fizeram. A sede por sangue vem depois, com a impunidade. A constatação de que a justiça não será aplicada é mais forte do que
Avery pode suportar. Inicia então uma obsessão com destino único para a tragédia. E a moeda tem dois lados, uma vez que na outra esfera, a teimosia também reina absoluta.
Experiência é um vocábulo abstrato que tentamos mensurar através da quantidade de anos que um determinado indivíduo passa nesse planeta. Mas a vida é mais complexa do que essa fútil tentativa de racionalização de um termo obscuro. Ela é uma unidade de causa e efeito. São as decisões que tomamos em nossa breve existência, e as conseqüências que elas acarretam, que definem o grau de experiência que adquirimos. Em uma semana, os personagens de Red obtiveram um aprendizado que muitas pessoas passam 50 anos para alcançar. Na próxima oportunidade, talvez sejam mais tolerantes, ou menos impulsivos. Acho que, muitas vezes, os grandes erros precisam ser recompensados, desde que com eles, venha o conhecimento.
Red me lembrou muito de um ótimo filme dirigido por Sam Raimi, que mais tarde se tornaria o cineasta por trás do Homem-Aranha, intitulado Um Plano Simples. Um incidente sem conseqüências aparentemente mais graves acaba se desenvolvendo em uma situação que beira o absurdo. Este não é um filme de suspense tradicional, mas a atmosfera é de tensão constante. Apesar de sua relativa lentidão, é difícil não se envolver com o emocionante conflito vivido por seus personagens. Principalmente Avery, que se depara no presente com fantasmas do passado que não o deixam descansar. Ele é a força por trás do roteiro do filme e conta com uma atuação magistral de um ator que passou a carreira se escondendo em papéis de menor expressão.
O veterano Brian Cox, eterno coadjuvante de filmes como A Supremacia Bourne e X-Men 2, brilha em uma interpretação que exala sinceridade e melancolia. Quando descreve para uma repórter o que aconteceu com sua esposa e filhos, a amargura de sua expressão deixa um nó na garganta até do mais insensível dos mortais. Seu olhar transparece tristeza em cada fotograma e sua dor ajuda a entender seu repentino desejo por vingança. Mas, se este é um prato que se come frio, em Red fica claro que ele também deixa o estômago vazio.

Novembro 3, 2008 às 11:52 am
Fabão, pelo amor de Deus, pára tudo e vá assistir “Medos públicos em lugares privados”…