(The Bank Job, Reino Unido, 2008)
Direção: Roger Donaldson
Elenco: Jason Statham, Saffron Burrows, Stephen Campbell Moore, Daniel Mays, James Faulkner
O ator Jason Statham ganhou projeção internacional depois de protagonizar os dois primeiros filmes do aclamado cineasta britânico Guy Ritchie: Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes e Snatch – Porcos e Diamantes. A partir daí, ele se transformou, junto com o americano Vin Diesel, no sucessor dos heróis de ação anteriormente vividos por Schwarzenegger, Stallone, Van Damme e Seagal. Nos últimos anos, Statham trabalhou em diversas produções do gênero, como Carga Explosiva e Adrenalina, em que sua principal função era distribuir sopapos e soltar algumas piadas infames. Efeito Dominó marca seu retorno ao cinema britânico que o lançou e também comprova que, por trás da fachada de durão, se esconde um ator carismático, capaz de encabeçar projetos mais ambiciosos.
Ele vive Terry Leather, um criminoso de segunda categoria especializado em pequenos golpes que é convencido por uma antiga namorada (a insossa Saffron Burrows) a planejar um ousado assalto a banco. Para tal, ele junta sua trupe habitual, escala alguns colaboradores pontuais e coloca em prática uma arriscada empreitada que envolve a construção de um túnel que liga uma loja abandonada ao cofre de uma instituição bancária de pequeno porte que esconde segredos que colocam em risco integrantes do mais alto escalão britânico. Tudo segue conforme planejado mas, na hora de dividir os espólios do roubo, a gangue descobre que está envolvida
em uma confusão muito mais séria do que poderia imaginar e eles passam a ser perseguidos por todos os lados por pessoas dispostas a tudo para botar as mãos em informações valiosas escondidas naquele cofre.
O segredo de transformar personagens tão questionáveis em pessoas empáticas é sempre mostrá-los como seres humanos, acima de tudo. Eles não são apenas bandidos. Eles vão além de meros golpistas. Eles são pais, maridos e filhos. Pessoas comuns que tentam cuidar de seus familiares da melhor forma possível. Um deles chega a tentar a vida no mercado pornográfico. É claro que isso não justifica suas atitudes, mas ajuda a entendê-los melhor. Afinal, é da natureza humana torcer para o bandido quando o mesmo luta por um ideal louvável. É a síndrome de Robin Hood – personagem britânico, por sinal – que se alastra pelo espírito dos menos afortunados que vêem na desobediência civil uma forma de represália pela miséria que são obrigados a suportar.
O roteiro afiado constrói com uma precisão cirúrgica uma trama que gradativamente se complica à medida que o grupo descobre uma nova reviravolta. Um plano aparentemente simples se
transforma em um buraco cada vez mais íngreme do qual encontrar a saída se revela uma tarefa praticamente impossível, deixando o espectador com uma constante sensação de angústia. Pena que o desfecho, onde todas as questões precisam ser resolvidas de forma satisfatória, pareça tão anticlimático. Um enredo tão rocambolesco merecia uma solução mais criativa e inusitada. Nada que comprometa o resultado final, mas não deixa de ser um pouco frustrante.
Efeito Dominó é um típico exemplar do cinema entretenimento “made in England” que tem surpreendido o mundo com suas tramas simpáticas, enredos envolventes e um visual de primeira linha. Seja na comédia, no drama ou até nos filmes de ação, o Reino Unido tem mostrado que a diversão não é mais uma exclusividade da indústria americana. Os súditos da rainha também sabem ser durões, sabem bater e sabem falar difícil, usando as mais rebuscadas gírias que somente os nativos conseguem compreender. A grande diferença é que, por trás de toda aquela fleuma britânica, reside uma irreverência natural que impede que o inglês se leve muito a sério. O resultado é a existência de uma pitada cômica até nos momentos mais contemplativos.
Tags: Bank Job, Cinema Britânico, Efeito Dominó, Jason Statham

Setembro 29, 2008 às 7:05 pm
Esse post vai em homenagem ao JC e a Dê. Valeu pela recomendação.
Abraço.
Setembro 30, 2008 às 11:39 am
Meu caro Fabao, fique surpresa com a rapidez da “fabricacao” dessa crítica! Falei do filme no sábado, e dois dias depois, aqui está a crítica. Show de competencia!
Confesso que a qualidade dos “filmes de entretenimento” ingleses apetecem-me mais que os americanos. Seja pelo sotaque dos atores, seja pela sutileza das piadas (que, cá entre nós, sao menos óbvias que as americanas). Tudo bem que eu moro na bretanha, entao a tendencia d’eu “puxar o saco” dos britz é maior.
Também acho que o desfecho do filme poderia ter sido melhor explorado (se é que eu acho isso de 90% dos filmes que eu assisto… Acabo criando uma expectativa elevada para o final da estória e a decepcao é quase que inevitável), no entanto, nao compromete a obra como um todo.
Outro filme de entretenimento ingles que assisti ultimamente foi o “Run Fatboy Run” (a sátira comeca com a referencia ao “Run Lola Run”). É um filme ok, sem maiores compromissos. Gosto muito do ator principal (Simon Pegg), ele fez um seriado de humor chamado “Spaced” que é muito bom (nao sei se voce gosta de seriados).
Assim que eu lembrar de algum filme novo, coloco aqui!
Setembro 30, 2008 às 2:01 pm
Dê,
Acho que existem bons e maus exemplares em todo tipo de cinema. Concordo que o humor britânico é um pouco mais sutil, às vezes até sutil demais, mas já assiti a alguns filmes ingleses horrorosos. Parafraseando o nosso amigo Rogério Santos, eu gosto de filme bom, independente da origem. Mas devo admitir que, ultimamente, os brits estão dando um show de qualidade.
Assisti ao Run, Fatboy, Run e devo admitir que achei bem fraquinho. Ele só vale pela presença da linda Thandie Newton. O curioso é que o filme foi dirigido pelo David Schwimmer, o Ross do seriado Friends. Em relação ao Simon Pegg, também gosto do ator, que, por sinal, protagonizou duas das melhores comédias vindas do Reino Unido: Shaun of the Dead, um sátira dos filmes de zumbis, e Hot Fuzz, uma sátira dos filmes policiais americanos.
Fico esperando novas recomendações.
Beijos.
P.S. – Gosto de seriados, desde que sejam bons…
Outubro 3, 2008 às 2:21 pm
Spaced é um seriado “low budget”, sobre dois amigos que se passam por um casal para poderem alugar um apartamento, pois o anúncio do apartamento dizia “professional couples only”. A “landlord” mora no andar de cima, um artista excentrico no andar de baixo, e é basicamente isso aí.
Sao apenas duas temporadas (como todo seriado britanico) e eu achei bem engracado (humor ingles, muitas piadas fazem mais sentido pra mim afinal vivemos isso todos os dias).
De uma conferida nos tres primeiros episodios, depois me fala.
Criei duas listas no meu Lovefilm: uma minha, e a outra “indicacao do Fabao”, configurei para que me mandei um disco de cada lista, intercalado.
Esse final-de-semana assistirei “Belleville Rendez-vous”, da minha lista (desenho animado frances, a minha cara) e “The Great Raid”, indicacao do Fabao roubada do fotolog…
Outubro 3, 2008 às 5:31 pm
Que responsabilidade! Espero não decepcionar o casal.
Esse final de semana, vou tentar assistir a um filme francês chamado “Les Temoins” (“Testemunhas”, no Brasil) e o policial “Taken” (“Busca Implacável”, no Brasil). Este último é com o Liam Neeson, um ator irlandês que eu particularmente gosto bastante.
Por falar na qualidade do cinema britânico, há um tempo atrás assisti a um filme que se tornou uma das gratas surpresas deste ano para mim. O nome dele é “Irina Palm”. Acho que já tem em vídeo. A premissa é um pouco estranha, mas o resultado final muito interessante. Só não escrevo uma crítica porque o assisti já faz um tempo e preciso ter o filme fresco na memória para poder criticá-lo. Mas vale à pena conferir.
Abraço.