Violetas Púrpuras(Purple Violets, EUA, 2007)
Direção: Edward Burns
Elenco: Selma Blair, Patrick Wilson, Edward Burns, Debra Messing, Dennis Farina, Donal Logue
O grande talento do diretor independente Edward Burns reside na sua capacidade de transformar a simplicidade em arte. Enquanto o cinema contemporâneo recorre a ícones da indústria pop para atrair o público jovem para as salas, Burns resolve se comunicar com sua própria geração e investe em um filme honesto, onde coloca em pauta os sentimentos de alienação que muito de nós experimentamos durante um período de transição.
O roteiro acompanha o drama de Patti (Selma Blair), uma promissora aspirante a escritora que abandona seu sonho para seguir uma carreira mais segura no ramo imobiliário enquanto cuida do marido Chazz (Donal Logue). Durante um jantar com a melhor amiga Kate (Debra Messing, do seriado Will & Grace), ela reencontra Brian (Patrick Wilson), um antigo namorado da época da faculdade que hoje se transformou em um renomado escritor de romances policiais. Esse encontro balança com sua cabeça e ela passa a questionar se tomou o caminho certo quando abriu mão de suas ambições literárias.
Brian vive uma crise de identidade própria. Sedento para ser levado a sério como escritor, ele resolve abandonar seu personagem mais famoso para escrever um complexo drama psicológico. A empreitada não obtém o resultado esperado nem com a crítica, nem com seu público cativo,
que ansiava por mais uma aventura do detetive nova-iorquino conhecido com Jack Knight. Seus editores o pressionam a resgatar o personagem do limbo. Até mesmo seu advogado e melhor amigo Michael (Edward Burns) tenta convencê-lo a desistir da idéia de se tornar um escritor respeitável. Mas desde a juventude ele ambicionou escrever a grande novela americana e hoje ele se sente como se tivesse vendido a alma em troca de dinheiro.
Em paralelo, Michael e Kate vivem um conflito próprio. Eles também se conhecem desde a faculdade e também viveram um tórrido romance que se encerrou de forma traumática. Mesmo com a passagem dos anos, Kate não consegue perdoar uma suposta traição de Michael com medo de sofrer uma nova desilusão. Ele, por outro lado, busca a rendenção dos pecados cometidos no período em que foi um alcoólatra e não descansa enquanto não derrubar a barreira que o separa de seu amor da juventude.
O encontro acidental entre Patti e Brian funciona como uma pequena pedra jogada em um lago. Apesar de pontual, o impacto acaba causando ondas que, a princípio, são pequenas e aparentemente inofensivas. Elas afetam apenas o íntimo dos personagens envolvidos sem que o mundo externo sofra qualquer mutação. Mas essa onda insignificante acaba gerando ondas cada
vez maiores que extrapolam os limites individuais e alteram permanentemente o pequeno universo em que estão encaixados.
Violetas Púrpuras é um filme que trata do desejo oculto do ser humano de se conformar com uma realidade que parece confortável, mas que se distancia do ideal que cada um traça no começo da vida. Tanto Brian quanto Patti estão longe de viver os seus verdadeiros sonhos, mas levam uma vida tranqüila, sem muitos percalços. É muito fácil para o ser humano se acomodar quando vive um período de calmaria. É natural que queira fugir da tempestade que pode causar mudanças permanentes e alterar para sempre seu senso de segurança. Mas sem o caos, não existe amadurecimento. Sem a incerteza, não existe futuro, e sim uma eternidade de presentes.
Edward Burns encontra em Violetas Púrpuras seu momento mais melancólico. Acostumado a realizar filmes simpáticos e despretensiosos, ele também parece buscar uma mudança de rumo. Talvez por isso saiba interpretar com tanta precisão os sentimentos de seus personagens. É a voz de um cineasta á procura de sua verdadeira identidade que, no processo, realiza sua obra mais madura.
Tags: Edward Burns, Selma Blair, Patrick Wilson, Purple Violets
Setembro 26, 2008 às 11:11 am
Fabão, confesso que não gosto de ler críticas antes de assistir aos filmes, pois gosto de assistí-los com a cabeça mais aberta possível. Assim sendo, ainda não li nenhuma crítica do seu blog (mas adiciono todos os filmes na minha lista do lovefilm.com).
Esse dias eu estava falando com o JC: “Ah, bem que o Fabão poderia escrever uma crítica do filme xyz, com certeza ele já assistiu”. E o JC contestou, falando que os filmes europeus chegam meio tarde no Brasil e blablabla, pra eu te indicar os filmes assim que ficar sabendo deles…
Enfim, assisti esses dias a: “The Edge of Heaven”, você já ouviu falar? É uma produção turco-germânica, sensacional, muito bom mesmo!!! Já está na locadora aqui, então você deve encontrar fácil na Internet! Esse final-de-semana vou assistir ao filme: “The Bank Job”. É uma produção inglesa, se for bom eu te falo!
Setembro 26, 2008 às 1:09 pm
Dê,
Uma recomendação sua é uma obrigação minha. Conto com a sua ajuda para me manter atualizado sobre os lançamentos do velho continente. O “The Edge of Heaven” foi lançado nos cinemas brasileiros em junho – ou julho, não lembro direito – com o título de “Do Outro Lado”. Só que, como de costume, estava disponível em apenas algumas salas alternativas e acabei não assistindo. Se tivesse essa sua recomendação na época, garanto que a realidade seria outra. Mas vou procurar nas locadoras. Senão, nada como o bom e velho download.
O “The Bank Job” já foi um lançamento mais difundido. Ele ganhou o título de “O Efeito Dominó” (??????) e me pareceu um filme estiloso, só não sei se tem conteúdo.
Continue mandando suas dicas, Dê, e não se esqueça de enviar seu comentário depois que assistir aos filmes aqui resenhados.
Beijos.
Setembro 27, 2008 às 10:19 am
Meu caro Fabão, ontem assisti ao filme “The Bank Job” e achei muito bom por alguns fatores: i) baseado em história real; ii) por ser uma produção inglesa, é bem feitinho; iii) a história se passa ao lado de casa. Assista!
Setembro 28, 2008 às 7:08 pm
“É muito fácil para o ser humano se acomodar quando vive um período de calmaria. É natural que queira fugir da tempestade que pode causar mudanças permanentes e alterar para sempre seu senso de segurança. Mas sem o caos, não existe amadurecimento. Sem a incerteza, não existe futuro, e sim uma eternidade de presentes.”
O que posso comentar depois de ler isso??? Grande abraco CARA!
Falar nisso, apoio aqui a Denise no tocante ao “The Bank Job”. Filmaco. Nem parece ingles! E ter Londres como cenario ainda enobrece qualquer filme. Imperdivel.
Fevereiro 12, 2009 às 4:38 pm
chato
Abril 23, 2009 às 6:20 pm
Oi,
vc conhece um filme chamado XYZ, de +ou- 1963? Gostaria de saber mais coisas dele. Grata.
Abril 27, 2009 às 9:18 pm
Oi, Bernadeth!
Infelizmente não conheço esse filme. Tentei fazer uma pesquisa, mas não encontrei nada.
Abraço,
Fabão.